|










|
Vi, pela primeira os
"Cucos Malandros" em Vila da Ponte durante as Festas de Nossa Senhora das
Necessidades em 15 de Agosto de 2005. E nunca mais esqueci esta tão forte
sensação:
Estas figuras gigantescas, rígidas, solenes, pairando sobre a multidão
dançando ao som surdo, impetuoso e ritmado dos tambores e acordeões. Um
conjunto único.
A presença destas grandes figuras
em actos públicos, seja de cariz religioso, festivo ou político é notada cá
pelas bandas de Sernancelhe já desde há 1 ano.
Apesar da origem destas figuras não
ser local, já a sua persistência ao longo dos anos deve ser explicada pela
relação que tem com a nossa cultura a existência de bonecos grotescos ou de
grandes dimensões, em procissões do antigamente, e também em tradições muito
vividas hoje, como provavelmente a Queima do Judas.
Historial
A Associação
Recreativa e Cultural dos Cucos e Malandros foi fundada em
Maio de 2005, fez a sua estreia no dia 5 de Junho, na Feira Aquiliniana da Lapa, passando a
marcar imediatamente, lugar de destaque, nas festas e feiras de Sernancelhe.
O grupo
é constituído por onze elementos, numa sã convivência de idades compreendidas entre
os doze e os setenta anos, pertencendo na maioria à família Santos da Tabosa
da Cunha
Utilizando
instrumentos, desde o bombo, o acordeão os pratos e o cavaquinho, apresenta-se
não só nas
festas e romarias da região, como além fronteiras em concelhos mais
distantes.
Quando
solicitado, faz-se acompanhar igualmente dos tradicionais cabeçudos, construídos pelos membros da Associação.
O elemento principal, é o Sr. Valter dos Santos.
O grupo consta de - 2 gigantones - João e Américo
- 4 bombos
- 2 caixas
- 1 acordeonista - Valter dos Santos
- 1 cavaquinho - António da Mariete
- Toca Pratos - Manuel Carteiro
Tradição que veio para
ficar
Com quatro metros de altura, um peso que varia entre os
vinte e os trinta quilos e uma enorme cabeça de fibra de vidro, os Cucos
Gigantones não passam de figuras humanas de grandes dimensões suportadas por
uma estrutura com a forma de um corpo e onde o homem que o manuseia se
introduz, carregando o boneco apoiado nos seus ombros. Os movimentos, são
dificultados por causa do peso e equilíbrio, mas procuram balancear ao som
do ritmo, sempre de forma solene.
A introdução dos gigantones nas festas e romarias portuguesas,
directa ou indirectamente, foi feita através da região espanhola da Galiza,
com a importação do costume, em 1893. O gigantone português deriva da
tradição galega em que era promovida uma exibição de gigantones e cabeçudos
junto ao túmulo de Santiago. "Um minhoto achou muita graça àquilo e resolveu
trazê-la para as festas locais no século XIX, quando se estava a criar o
figurino da romaria. Na altura foi mais um número, mas depois acabou por
ficar como número".
Popularizada no Minho, onde se assumiu no decorrer do século passado como
símbolo da "rainha das romarias de Portugal", a tradição vingou, já que se
"encaixou na memória colectiva" do povo que ainda recordava mitos antigos,
desaparecidos no tempo. Também conhecidos como "gigantes de cortejo", o
povo acabaria por importar da cultura galega não só o número em si mas o
nome de gigantone.
A tradição é, contudo, bem mais antiga, e poderá ter a sua
origem nos contos de bons e maus gigantes inspirados na mitologia germânica,
mais tarde popularizados em histórias infantis. De facto, o primeiro gigante
de cortejo conhecido na Europa foi identificado em Antuérpia, Bélgica, em
1389, havendo ainda importantes registos históricos na Idade Média, em
França, Alemanha e Itália.
A aparição em Portugal dos gigantones, os primeiros bonecos gigantes, em
1893, retratavam essencialmente "o parolo", "o doutor", "a vianeza" e "a
senhora". Apesar da complexidade da estrutura, a sua confecção chegava a
pormenores como ramos de flores ou carteiras na mão, no caso feminino, ou
fartos bigodes, suíças e chapéu alto, nos bonecos masculinos.
A completar o desfile não pode faltar o grupo de zabumbas e acordeonista,
que fazem o acompanhamento musical, anunciando e marcando de forma
estridente o ritmo da festa.
Este conjunto está já bem enraizado na cultura popular portuguesa, podendo
ser apreciado em grande parte em algumas romarias espalhadas pelo País, como
forma de assinalar o início das festividades tradicionais
|










|