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 As últimas notícias na imprensa sobre a luta contra o encerramento do Posto Médico

     
Manifestação contra fecho do posto de saúde

Rui Bondoso


A extensão de saúde de Vila da Ponte, fechada desde Agosto de 2005, por falta de médicos, deverá ser encerrada, definitivamente, já esta semana. O material informático e o arquivo dos utentes já foram retirados.
E o médico da terra, que deu lá consultas durante mais de 20 anos,
readmitido ao serviço, vai exercer no centro de saúde da sede de concelho, por ordem do ministério.
Indignados, os utentes promovem, ao fim da tarde de amanhã, uma manifestação de protesto contra o eventual fecho do posto.
A iniciativa juntará a população das

13 freguesias do concelho servidas pela extensão de Vila da Ponte."A insatisfação dos utentes aumenta de tom porque lhes foi prometido pela Sub-região de Saúde de Viseu e pelo próprio ministro, quando visitou o distrito, que o posto de saúde não encerraria", lembra Luísa Monteiro, da comissão de utentes e presidente da Junta de Freguesia de Vila da Ponte.
Que acrescenta "Se antes, os responsáveis pela saúde justificavam-se com a falta de médicos, agora não têm desculpa. O dr. António Canotilho, que era e foi sempre o médico desta extensão já foi readmitido, mas não foi colocado na Vila da Ponte".
A autarca diz que as populações não aceitam estar a ser enganadas "descaradamente". E fala da importância em manter o posto em funcionamento. "Num concelho como Sernancelhe, com mais de 220 quilómetros quadrados, em que há freguesias que distam cerca de 20 quilómetros da sede do município, o posto médico de Vila da Ponte fica a meio caminho, encurtando as distâncias e permitindo o acesso mais fácil aos cuidados de saúde, sobretudo aos mais idosos".
O ambiente na aldeia é de indignação. O povo não aceita o encerramento dos serviços. "Temos um edifício com todas as condições, temos o médico que nos faltava, e agora é que nos querem fechar a extensão de saúde?", protesta Maria Deolinda Catarino, que lembra o serviço "inestimável" prestado pelo posto, criado há 34 anos.
"Lutaremos com todas as nossas forças contra o seu encerramento. Venha quem vier, nós vamos lutar", diz.
 
Vila da Ponte exige posto médico

Teresa Cardoso


Habitantes de Vila da Ponte concentraram-se, ontem, no centro da aldeia, para exigir a reabertura e futura manutenção do posto médico que serve 13 das 17 freguesias do concelho de Sernancelhe. Organizado pela Comissão de Utentes, o protesto foi desencadeado pela desconfiança de que o Ministério da Saúde se prepare para fechar, definitivamente, uma extensão de saúde que funciona há 34 anos.
"Nos últimos dias, apercebemo-nos que estavam a ser retirados do interior do edifício, onde funciona o Posto de Saúde, equipamentos informáticos e fichas clínicas dos doentes. Se pensam que vão privar a nossa população, maioritariamente idosa, deste serviço, desenganem-se. Estamos dispostos a ir até à Assembleia da República defender um benefício a que temos pleno direito", avisou Luísa Monteiro, membro da comissão de utentes e presidente da Junta de Freguesia de Vila da Ponte.
A unidade de saúde encontra-se encerrada desde Agosto de 2005, altura em que o médico que ali prestava serviço diário teve de ausentar-se
"Estávamos convencidos que quando regressasse ao serviço continuaria a dar consultas na nossa extensão. Regressou, é certo, mas para o Centro de Saúde de Sernancelhe", protestou Luísa Monteiro.
Ainda à espera de resposta ao abaixo-assinado enviado, há cerca de dois meses, à sub-região de Saúde de Viseu, a exigir a reabertura do Posto Médico, os populares de Vila da Ponte garantem que não vão desistir da luta. "Não temos idade, nem saúde, para andar a correr para outros lados. Vamos lutar pelos nossos direitos", garantia Teresa Pinto, de 84 anos. "Só caminho apoiada em bengalas. Não tenho condições para ir a Sernancelhe, quase diariamente fazer tratamentos", lamentava-se Maria de Jesus, de 86 anos.
A Câmara de Sernancelhe e a Comissão de Utentes de Saúde de Viseu associaram-se ao protesto.
Contactado pelo JN, José Carlos Almeida, coordenador da sub-região de Saúde de Viseu, afirmou não ter resposta para a questão do fecho da extensão de Saúde.
20quilómetros separam algumas freguesias que utilizam o posto de saúde de Vila da Ponte do centro de saúde a funcionar em Sernancelhe. Uma situação agravada pela escassez de transportes.
 
Director do Centro de Saúde discorda do posto médico

Teresa Cardoso


O director do Centro de Saúde de Sernancelhe, Manuel Pinto de Mascarenhas, reconheceu, ontem, ao JN, que "não se justifica" a reabertura do posto médico de Vila da Ponte.
Uma unidade, a funcionar há mais de trinta anos, cuja manutenção tem sido reclamada, com protestos e abaixo-assinados, por utentes e autarcas de 13 das 17 freguesias do município.
O clínico justifica a sua oposição à reabertura da única extensão de saúde de Sernancelhe, com várias ordens de razões proximidade da sede, escassez de recursos humanos e técnicos, e a entrada em funcionamento, prevista para breve [ver caixa], das novas instalações do Centro de Saúde."Temos de gerir bem os recursos disponíveis.
Na minha opinião, não faz sentido que se reabra uma posto que dista menos de três quilómetros da sede de concelho, colocando lá um dos quatro médicos do quadro do Centro de Saúde de Sernancelhe", explicou Pinto Mascarenhas.
A alegação de que a unidade de Vila da Ponte serve 13 das 17 freguesias do município, não colhe junto do director do Centro de Saúde."A filosofia subjacente às extensões visava, num determinado momento, assegurar cuidados de qualidade às freguesias mais distantes da sede de concelho. Se é certo que o posto de Vila da Ponte funcionou, vários anos, não obstante a curta distância e boa rede de transportes que o ligam a Sernancelhe, a verdade é que deveria acolher apenas os utentes do seu território. Nunca os de territórios vizinhos", sustentou Pinto Mascarenhas.
O responsável teme que a reabertura do posto ponha "em perigo" a qualidade dos serviços na sede, sobretudo numa altura em que uma nova unidade vai entrar em funcionamento com "tecnologia de ponta".
No início da semana, num protesto que mobilizou centena e meia de pessoas, os habitantes de Vila da Ponte ameaçaram acentuar a luta em defesa da reabertura do posto médico. O JN tentou, sem sucesso, obter uma reacção da Comissão de Utentes.
Ontem, ao JN, o presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Fernando Regateiro, anunciou, para breve, uma reunião no concelho de Sernancelhe "para tratar assuntos relacionados com o centro de saúde local, o que implicará a abordagem do posto médico de Vila da Ponte". Cuja situação, acrescenta, tem vindo a acompanhar.
Novo centro está por dias
O coordenador da sub-região de Saúde de Viseu, José Carlos Almeida, admitiu, ontem, que o novo Centro de Saúde de Sernancelhe poderá entrar em funcionamento dentro de três semanas. O cumprimento deste prazo vai depender, acrescentou, "da correcção de alguns erros técnicos detectados na obra e da capacidade do empreiteiro responsável para os corrigir".
O JN apurou que o novo edifício, cuja construção se iniciou há cerca de três anos, terá sido dado como concluído pelo construtor, mas ainda não foi recepcionado pela tutela devido a alguns problemas detectados no sistema de refrigeração.
José Carlos Almeida garante que, quando em funcionamento, as novas instalações terão capacidade para dar resposta, "com qualidade", aos seis mil habitantes do concelho de Sernancelhe. A futura unidade será igualmente dotada "de novas valências de saúde".
 
     

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