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 Seixo - continuação

 
     

É lugar da freg. de Sarzeda.
Foi sede de uma freg. extinta, cujo orago era Santa Maria Madalena.
O padre Vasco Moreira escreve em 1929, deste lugar:
«O Seixo foi sempre, e ainda é eclesiàsticamente, uma freg. independente... civilmente, está unida à Sarzeda...» e outros autores sempre a consideraram independente; e de facto o foi no cível ainda depois de 1834. Desconhecemos o decreto que a anexou. Supomos até que não existe; mas... está efectivamente ligada à Sarzeda. Seixo deriva de Saxum, seixo, pedra. Devia ter-se chamado assim de alguma pedra que ali existisse de desmesurada grandeza... Teve os lug. de Telhai, Valongo e Fiarresga, que perdeu... Antigamente, como ficava situada próxima da estrada romana de Trancoso, Pinhel e Almeida, teve certa vida que, com o tempo, se extinguiu». Nos fins do séc. XVIII, escrevia desta freg. o padre D. Joaquim de Azevedo: «termo da vila de Sernancelhe, curato..., renderá 50 mil réis: é apresentado (o pároco) pelo comendador de Sernancelhe... tem três capelas nos três povos da freg.. Telhai, Valongo e Fiarresga». Apesar disto, estes lug. não estão hoje sequer no concelho de Sernancelhe, e eram notavelmente distantes do Seixo, para o Oriente e Nordeste, cerca da Teja, estando, pode dizer-se de permeio as freg. de Beselga e Antas, do cone. de Penedono. A freg. de Seixo, pois, era uma extensa faixa de território, nos confins do antigo concelho de Sernancelhe (de arranjo diverso do actual, pois ainda lhe pertencia Guilheiro), e tão absurda, pois se alongava por três léguas aproximadamente, que só pode dever-se a ampliação antiga do termo de Sernancelhe (v.) ou mais remotamente, ao domínio do seu castelo (mas este caso deveras improvável) e, se tal se dava, é porque aí havia população, talvez «popa-laturas», correspondentes àqueles lugares, da notável condessa D. Châmoa (Flâmula), do séc. X, senhora do dito castelo e vizinhos. Quando se fez novo arranjo entre os cone. de Sernancelhe, Penedono e Trancoso, os três longínquos lug. ficavam, por natureza, destinados a incluir-se nas freg. vizinhas e, assim, estava condenada virtualmente a freg. do Seixo; de modo que só este lug. ficou anexo à freg. de Sarzeda, a mais vizinha no concelho de Sernancelhe, desmembrando-se a freg. sem necessidade de qualquer decreto especial. O povoamento destes lug. é, por certo, muito antigo, e até a toponímia o manifesta, com os vestígios arqueológicos da vizinha serra de Serigo (n. de filiação germânica, de origem antropo-nímica). Não há dúvida que o seu território foi possessão da dita condessa e de seus pais, os condes D. Rodrigo e D. Leodegúndia, e devia existir neles uma ou outra «pobra». No primeiro quartel do séc. XII, participaram do aforamento de Sernancelhe pelo rico-homem D. Egas Gosendes «de Ribadouro» (v.) ou «de Baião», e foram povoados a foro de jugada. O foral manuelino, de 9-11-1514, porém, não pertence a este Seixo, apesar de constar, por evidente engano, de certos autores — demais que o local foi sempre do cone. de Sernancelhe. (V. Sarzeda e Sernancelhe).

 

 

 
 
         

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